sábado, 20 de novembro de 2010

You Who Never Arrived

You who never arrived
in my arms, Beloved, who were lost
from the start,
I don't even know what songs
would please you. I have given up trying
to recognize you in the surging wave of
the next moment. All the immense
images in me -- the far-off, deeply-felt
landscape, cities, towers, and bridges, and
unsuspected turns in the path,
and those powerful lands that were once
pulsing with the life of the gods--
all rise within me to mean
you, who forever elude me.

You, Beloved, who are all
the gardens I have ever gazed at,
longing. An open window
in a country house-- , and you almost
stepped out, pensive, to meet me.
Streets that I chanced upon,--
you had just walked down them and vanished.
And sometimes, in a shop, the mirrors
were still dizzy with your presence and,
startled, gave back my too-sudden image.
Who knows? Perhaps the same
bird echoed through both of us
yesterday, separate, in the evening...

Rainer Maria Rilke

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

presença

Sim. Aquele homem que eu nunca vi antes, de repente, parou bem na minha frente e me olhou nos olhos como se eu pertencesse a ele. Olhei para os lados, tentei disfarçar, mas ele permanecia ali, não tinha pressa, apenas tomado uma decisão. Mesmo fingindo que não o conhecia, sua presença me incomodava de um jeito difícil de explicar. Desviei o olhar. Esperei que ele fosse embora.
Ele nunca foi.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O livro do desassossego

[63]
Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espetáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite.
Estas páginas, em que registro com uma clareza que dura para elas, agora mesmo as reli e me interrogo.
Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando sinto? Que coisa morro quando sou?
Como alguém que, de muito alto, tente distinguir as vidas do vale, eu assim mesmo me contemplo de um cimo, e sou, com tudo, uma paisagem indistinta e confusa.
É nestas horas de um abismo na alma que o mais pequeno pormenor me oprime como uma carta de
adeus. Sinto-me constantemente numa véspera de despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de conclusões. De bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte. Mas há um grande sono comigo, e desloca-se de umas sensações para outras como uma sucessão de nuvens, das que deixam de diversas cores de sol e verde a relva meio ensombrada dos campos prolongados.
Sou como alguém que procura ao acaso, não sabendo onde foi oculto o objeto que lhe não disseram o que é. Jogamos às escondidas com ninguém.
Há, algures, um subterfúgio transcendente, uma divindade fluida e só ouvida.
Releio, sim, estas páginas que representam horas pobres, pequenos sossegos ou ilusões, grandes
esperanças desviadas para a paisagem, mágoas como quartos onde se não entra, certas vozes, um
grande cansaço, o evangelho por escrever.
Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma
igual. A minha vaidade são algumas páginas, uns trechos, certas dúvidas...
Releio? Menti! Não ouso reler. Não posso reler. De que me serve reler? O que está ali é outro. Já não
compreendo nada...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

.

Uma drástica medida a se tomar é continuar amando, viver é consequência.

parece que foi ontem

eu vou acontecendo aos poucos...
prefiro quando consigo me demorar
e me perco pensando,
me perco sentindo.
tão livre o sentir é,
que as vezes se torna insuportável.
o sentir sem medida,
sem controle,
sem tempo de acabar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

dreams

Não era ela que o via todos os dias em seus sonhos. Era ele quem não conseguia abandoná-la um só instante. Tinha escolhido um lugar incomum para guardá-la. E desde então, era ali que ela permanecia.

sábado, 21 de agosto de 2010

Rainer Maria Rilke

Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Baloons






















O ar etéreo sustentava os pensamentos.
Se encheu de felicidade em conter,
mesmo que por um breve instante,
tanta delicadeza.
Queria que aquele momento fosse eterno.
E por um segundo conseguiu.

domingo, 8 de agosto de 2010

Incomplete

Somos incompletos. E vamos encontrando partes de nós espalhadas por aí. É como se coisas muito essencias, que nos pertencem de um jeito tão genuíno que parecem ter sido arrancadas de nossa alma, estivessem fora de nós por alguma razão desconhecida. Podem ser músicas, textos, lugares e, principalmente, pessoas. E vamos tentando recolher nossos pertences ao longo da vida. Com certeza é fácil comprar o cd ou o livro, visitar lugares, mas queremos também recolher as pessoas, afinal elas nos pertecem. Mas não se preocupe, você não terá dificuldade nenhuma em reaver o que sempre foi seu, porque esses sempre estiveram a sua espera.