quinta-feira, 1 de abril de 2010

Onírico - (trecho) Caio Fernando Abreu

Veio num sonho, certa noite. Ela o amava. Ele a amava também. E ainda que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples. Boa, fácil, assim era. Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo. Dormiam juntos, no sonho, porque era bom para um e para outro estarem assim juntos, naquele outro espaço. Não vinha nada de fora, nem ninguém. Deitada nua no ombro também nu dele, não havia fatos. Dormiam juntos, apenas. Isso era limpo e nítido no sonho que ela sonhou aquela noite.
Deitada no ombro dele, ela via seu rosto muito próximo. Esse era o sonho, nada mais. E isso, mais tarde saberia, era o único fato do sonho inteiro: via o rosto dele muito próximo. Como um astronauta prestes a desembarcar veria a face da lua, mal reconhecendo o Mar da Serenidade perdido em poeira cinza, assim ela o via naquela proximidade excessiva, quase inumana de tão próxima. Fechasse os olhos — mas não os fecharia, pois já estava dormindo — guardaria contra as pálpebras cerradas um por um dos traços dele. Crateras miúdas com negros fios de barba despontando duros de dentro delas, molhadas gretas polpudas além das quais brilhava o branco duro dos dentes.
Coisas assim, ela via. E de olhos abertos, embora fechados, pois sonhava, protegia-o, protegiam- se no meio da noite. Tão simples, tão claro. E de alguma forma inequívoca, para sempre. Talvez ele tivesse passado um dos braços em tomo da cintura dela, quem sabe ela houvesse deitado uma das mãos sobre o ombro dele, erguendo os dedos até que tocassem no lóbulo de sua orelha. Em todos os dias que se seguiram à noite daquele sonho, e foram muitos, honestamente não saberia localizar outros detalhes. Pois enquanto dormia, naquela noite, tudo era só e apenasmente isso: dormiam juntos.
No centro da noite, no meio do sonho, no outro espaço.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

E

Eu não estou tão sem tempo para escrever aqui. É pura falta de inspiração mesmo. Flashes de uma história que eu preciso alinhavar estão embaralhados em mim. Mas me sinto tão vazia, que nunca me parece a ocasião. Mas não é um vazio ruim, apenas contemplativo. Acesso uma conexão diferente que resiste em se mostrar através de mim, mas que em breve irá.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Short history

She has to lose him completely to realize that he was always the right one. She couldn't believe about her truly feelings, he was part of that strange heart that she carried all her life.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Paul Bowles, The Sheltering Sky

Because we don't know when we will die, we get to think of life as an inexhaustible well, yet everything happens only a certain number of times, and a very small number, really. How many more times will you remember a certain afternoon of your childhood, some afternoon that's so deeply a part of your being that you can't even conceive of your life without it? Perhaps four or five times more, perhaps not even that. How many more times will you watch the full moon rise? Perhaps twenty. And yet it all seems limitless.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Desprender














Abandono tudo o que é impossível aqui.
O que era possível, deixei antes.
Limites não me impediram.
Nem falsas previsões me enganaram.
Nunca me acostumei com os nãos.
São eles que me impulsionam.
O fácil é um grave defeito.
De quem tem sempre que seguir em frente.
O que eu busco não está em nenhum lugar.
Cenários interiores.
Muitos interessados, poucos com quem dividir.
Onde nada precisa fazer sentido algum, mas faz.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sounds like poetry

The words you wrote.
When rain falls in sunny days.
My purple dress that night.
Sharing my library music.
When you wisper nonsense.
Your messy hair.
My pink moleskine.
Flowers in the bathroom.
Chocolat cake in your mouth.
The color of your eyes.
Bubles in the glass.
What your soul means.
An open channel to conect my heart.

domingo, 6 de dezembro de 2009

About blank

O destino perdeu mais uma vez.
Combinei e não apareci.
Mudei de opinião.
Encontrei poesia no caminho e me distraí.
Perdi a hora.
O vôo. Ficando, me encontrei mais.
Estremeci com a imagem no espelho.
Desconhecia tamanha coragem.
Nunca achei que fosse capaz.
E então, de repente, tudo se esvaziou.
Meus pensamentos sobre você, não me procuraram mais.
Em vez disso, imagens se impunham e me seduziam.
Queriam de vez o lugar que um dia eu jurei, ser para sempre teu.