sexta-feira, 29 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
presença
Sim. Aquele homem que eu nunca vi antes, de repente, parou bem na minha frente e me olhou nos olhos como se eu pertencesse a ele. Olhei para os lados, tentei disfarçar, mas ele permanecia ali, não tinha pressa, apenas tomado uma decisão. Mesmo fingindo que não o conhecia, sua presença me incomodava de um jeito difícil de explicar. Desviei o olhar. Esperei que ele fosse embora.
Ele nunca foi.
Ele nunca foi.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O livro do desassossego
[63]
Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espetáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite.
Estas páginas, em que registro com uma clareza que dura para elas, agora mesmo as reli e me interrogo.
Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando sinto? Que coisa morro quando sou?
Como alguém que, de muito alto, tente distinguir as vidas do vale, eu assim mesmo me contemplo de um cimo, e sou, com tudo, uma paisagem indistinta e confusa.
É nestas horas de um abismo na alma que o mais pequeno pormenor me oprime como uma carta de
adeus. Sinto-me constantemente numa véspera de despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de conclusões. De bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte. Mas há um grande sono comigo, e desloca-se de umas sensações para outras como uma sucessão de nuvens, das que deixam de diversas cores de sol e verde a relva meio ensombrada dos campos prolongados.
Sou como alguém que procura ao acaso, não sabendo onde foi oculto o objeto que lhe não disseram o que é. Jogamos às escondidas com ninguém.
Há, algures, um subterfúgio transcendente, uma divindade fluida e só ouvida.
Releio, sim, estas páginas que representam horas pobres, pequenos sossegos ou ilusões, grandes
esperanças desviadas para a paisagem, mágoas como quartos onde se não entra, certas vozes, um
grande cansaço, o evangelho por escrever.
Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma
igual. A minha vaidade são algumas páginas, uns trechos, certas dúvidas...
Releio? Menti! Não ouso reler. Não posso reler. De que me serve reler? O que está ali é outro. Já não
compreendo nada...
Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espetáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite.
Estas páginas, em que registro com uma clareza que dura para elas, agora mesmo as reli e me interrogo.
Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando sinto? Que coisa morro quando sou?
Como alguém que, de muito alto, tente distinguir as vidas do vale, eu assim mesmo me contemplo de um cimo, e sou, com tudo, uma paisagem indistinta e confusa.
É nestas horas de um abismo na alma que o mais pequeno pormenor me oprime como uma carta de
adeus. Sinto-me constantemente numa véspera de despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de conclusões. De bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte. Mas há um grande sono comigo, e desloca-se de umas sensações para outras como uma sucessão de nuvens, das que deixam de diversas cores de sol e verde a relva meio ensombrada dos campos prolongados.
Sou como alguém que procura ao acaso, não sabendo onde foi oculto o objeto que lhe não disseram o que é. Jogamos às escondidas com ninguém.
Há, algures, um subterfúgio transcendente, uma divindade fluida e só ouvida.
Releio, sim, estas páginas que representam horas pobres, pequenos sossegos ou ilusões, grandes
esperanças desviadas para a paisagem, mágoas como quartos onde se não entra, certas vozes, um
grande cansaço, o evangelho por escrever.
Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma
igual. A minha vaidade são algumas páginas, uns trechos, certas dúvidas...
Releio? Menti! Não ouso reler. Não posso reler. De que me serve reler? O que está ali é outro. Já não
compreendo nada...
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
parece que foi ontem
eu vou acontecendo aos poucos...
prefiro quando consigo me demorar
e me perco pensando,
me perco sentindo.
tão livre o sentir é,
que as vezes se torna insuportável.
o sentir sem medida,
sem controle,
sem tempo de acabar.
prefiro quando consigo me demorar
e me perco pensando,
me perco sentindo.
tão livre o sentir é,
que as vezes se torna insuportável.
o sentir sem medida,
sem controle,
sem tempo de acabar.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
dreams
Não era ela que o via todos os dias em seus sonhos. Era ele quem não conseguia abandoná-la um só instante. Tinha escolhido um lugar incomum para guardá-la. E desde então, era ali que ela permanecia.
sábado, 21 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Baloons
domingo, 8 de agosto de 2010
Incomplete
Somos incompletos. E vamos encontrando partes de nós espalhadas por aí. É como se coisas muito essencias, que nos pertencem de um jeito tão genuíno que parecem ter sido arrancadas de nossa alma, estivessem fora de nós por alguma razão desconhecida. Podem ser músicas, textos, lugares e, principalmente, pessoas. E vamos tentando recolher nossos pertences ao longo da vida. Com certeza é fácil comprar o cd ou o livro, visitar lugares, mas queremos também recolher as pessoas, afinal elas nos pertecem. Mas não se preocupe, você não terá dificuldade nenhuma em reaver o que sempre foi seu, porque esses sempre estiveram a sua espera.
domingo, 6 de junho de 2010
sinto
Um sentimento pode te ocupar a vida inteira.
Não é algo que atrapalhe.
Vive ali desde que sua história nesse mundo começou.
Acompanha teu aprendizado.
Escolhas diárias.
Caminhos sendo percorridos, indo em alguma direção.
Teu sentimento segue ali, inabalável.
É companhia certa, nas horas em que tudo pode faltar.
Apenas está. É.
Não tem desejos.
Não quer fazer nenhum sentido.
É anterior.
Uma delícia apenas de sentir.
Não é algo que atrapalhe.
Vive ali desde que sua história nesse mundo começou.
Acompanha teu aprendizado.
Escolhas diárias.
Caminhos sendo percorridos, indo em alguma direção.
Teu sentimento segue ali, inabalável.
É companhia certa, nas horas em que tudo pode faltar.
Apenas está. É.
Não tem desejos.
Não quer fazer nenhum sentido.
É anterior.
Uma delícia apenas de sentir.
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