sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Frozen




Sinto um frio imenso.
Um frio que não é daqui.
Não tem nada a ver com a temperatura.

sábado, 20 de novembro de 2010

You, darkness

You, darkness, that I come from
I love you more than all the fires
that fence in the world,
for the fire makes a circle of light for everyone
and then no one outside learns of you.

But the darkness pulls in everything-
shapes and fires, animals and myself,
how easily it gathers them! -
powers and people-

and it is possible a great presence is moving near me.

I have faith in nights.

Rainer Maria Rilke

You Who Never Arrived

You who never arrived
in my arms, Beloved, who were lost
from the start,
I don't even know what songs
would please you. I have given up trying
to recognize you in the surging wave of
the next moment. All the immense
images in me -- the far-off, deeply-felt
landscape, cities, towers, and bridges, and
unsuspected turns in the path,
and those powerful lands that were once
pulsing with the life of the gods--
all rise within me to mean
you, who forever elude me.

You, Beloved, who are all
the gardens I have ever gazed at,
longing. An open window
in a country house-- , and you almost
stepped out, pensive, to meet me.
Streets that I chanced upon,--
you had just walked down them and vanished.
And sometimes, in a shop, the mirrors
were still dizzy with your presence and,
startled, gave back my too-sudden image.
Who knows? Perhaps the same
bird echoed through both of us
yesterday, separate, in the evening...

Rainer Maria Rilke

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

presença

Sim. Aquele homem que eu nunca vi antes, de repente, parou bem na minha frente e me olhou nos olhos como se eu pertencesse a ele. Olhei para os lados, tentei disfarçar, mas ele permanecia ali, não tinha pressa, apenas tomado uma decisão. Mesmo fingindo que não o conhecia, sua presença me incomodava de um jeito difícil de explicar. Desviei o olhar. Esperei que ele fosse embora.
Ele nunca foi.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O livro do desassossego

[63]
Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espetáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite.
Estas páginas, em que registro com uma clareza que dura para elas, agora mesmo as reli e me interrogo.
Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando sinto? Que coisa morro quando sou?
Como alguém que, de muito alto, tente distinguir as vidas do vale, eu assim mesmo me contemplo de um cimo, e sou, com tudo, uma paisagem indistinta e confusa.
É nestas horas de um abismo na alma que o mais pequeno pormenor me oprime como uma carta de
adeus. Sinto-me constantemente numa véspera de despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de conclusões. De bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte. Mas há um grande sono comigo, e desloca-se de umas sensações para outras como uma sucessão de nuvens, das que deixam de diversas cores de sol e verde a relva meio ensombrada dos campos prolongados.
Sou como alguém que procura ao acaso, não sabendo onde foi oculto o objeto que lhe não disseram o que é. Jogamos às escondidas com ninguém.
Há, algures, um subterfúgio transcendente, uma divindade fluida e só ouvida.
Releio, sim, estas páginas que representam horas pobres, pequenos sossegos ou ilusões, grandes
esperanças desviadas para a paisagem, mágoas como quartos onde se não entra, certas vozes, um
grande cansaço, o evangelho por escrever.
Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma
igual. A minha vaidade são algumas páginas, uns trechos, certas dúvidas...
Releio? Menti! Não ouso reler. Não posso reler. De que me serve reler? O que está ali é outro. Já não
compreendo nada...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

.

Uma drástica medida a se tomar é continuar amando, viver é consequência.

parece que foi ontem

eu vou acontecendo aos poucos...
prefiro quando consigo me demorar
e me perco pensando,
me perco sentindo.
tão livre o sentir é,
que as vezes se torna insuportável.
o sentir sem medida,
sem controle,
sem tempo de acabar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

dreams

Não era ela que o via todos os dias em seus sonhos. Era ele quem não conseguia abandoná-la um só instante. Tinha escolhido um lugar incomum para guardá-la. E desde então, era ali que ela permanecia.

sábado, 21 de agosto de 2010

Rainer Maria Rilke

Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.